segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O ilusionista

Um ser encantador por natureza e arrebatador por condição.


Era uma noite diferente para ela, uma noite da qual nunca se esqueceria. Ela se arrumou e foi a caminho do Circo, tinha uma incrível curiosidade sobre como poderia ser, já que quando criança nunca tinha ido a um espetáculo. Mal sabia ela que nesta noite ela faria parte do truque...


Foi lá que ela o conheceu.


Após tantas apresentações, ele foi anunciado, neste momento um silêncio arrasador paira sobre a tenda, ele entra com passos elegantes e um sorriso de arrebatar corações. Começa com truques simples, rápidos e pouco gestuais, mas foi então que decide fazer algo grandioso, olha para platéia e seu olhar encontra o dela, ele achou a vítima perfeita para aquela noite.

Ele a chama no palco, com carinho beija a sua mão e sorri passando uma falsa segurança. Ela se entrega totalmente a aquele momento. A luz agora foca os dois no tablado e ele começa a fazer truques que a pobre garota beira a acreditar serem de fato adventos de uma força sobrenatural. Ele mexe as mãos, transforma lenços em pombas, multiplica moedas, ele impressiona a platéia - e ela se apaixona por tudo aquilo.


É chegado o grand finale, o coração dela passa a bater mais rápido, suas mãos começam a suar e suas pernas ficam bambas. Qual o próximo truque? Sumir! Ele pede ajuda para ela, sabe que para garantir o sucesso do show nada pode dar errado agora. Ele entra na caixa, pede a ela suba um pano laminado em volta, espere alguns minutos e abra a caixa, sem falar absolutamente nada, ela concorda, mas seu coração está apertado, como é ruim vê-lo partir. Tudo sai como planejado, ela aguarda alguns minutos solta o pano e abre a caixa, e claro, ele não esta lá. A platéia efusivamente aplaude, grita, se emociona, foi um show incrível!


O espetáculo acabou, as palmas cessam e as luzes se apagam. Ela ainda está lá, em pé, encantada com o bendito ilusionista. Ela o procura fora da tenda, ele esta de pé perto de um trailler, ele nem a nota. Ela se aproxima e bate os seus delicados dedos nas costas do rapaz. Ele a comprimenta sem mesmo a reconhecer, ela ainda arrisca: “Fui a sua assistente no espetáculo de hoje, se lembra?”. Ele nem se esforça em recordar e diz: “Faço três espetáculos por dia, não consigo lembrar de todas.”.



A cena é desesperadora demais para ela. E o beijo na mão? E o sorriso? E as mágicas? Perguntas que pertubavam a cabeça da pobre garota desiludida. Era difícil acreditar, mas a magia que o ilusionista tinha no palco eram meros truques baratos. Tudo ensaiado, tudo maquiavelicamente planejado. Não havia mistério, sentimento ou encantamento. A garota se virou e seguiu seu caminho aprendendo uma nova palavra: ilusão. Uma palavra curiosa que se aprende mais com o coração do que com o próprio dicionário.