Ele chegou sabendo muito pouco, entendendo muito pouco, mas sofrendo muito, muito. O rei da selva tinha nova morada, uma jaula apertada nos fundos do picadeiro. Galã, imponente e feroz, o felino agora se encontrava perdido e solitário e, sem saber sobre seu futuro, se entregou a sua primeira noite naquele local.
A partir daí passou a receber todos os dias a visita de um homem com o olhar fundo e sem expressão alguma que o obrigava todos os dias a fazer coisas sem sentido e desconfortáveis para o pobre leão.
O leão sofria sem poder reagir, ao tratamento nas chicotadas e choques – tratamento este que o despia de qualquer força que pudesse aparecer. Doía, ah como doía, tinha seu coração e seu futuro moídos. Neste momento ele se sentia como um objeto, sem valor, uma marionete, humilhado e passa de rei dos animais para um bichinho de estimação maltratado e manipulado.
Chega o dia de sua primeira apresentação, casa cheia, muitos vieram de longe para assistir a mais nova aquisição do circo. O leão? Este sentia que algo grandioso o aguardava. Seria trágico? Seria transformador?
As luzes no picadeiro focavam a jaula. O leão por um momento não conseguia enxergar absolutamente nada. O homem sem expressão impiedosamente o chicoteava. Cego, a única coisa que o leão podia fazer era rugir e lembrar automaticamente dos passo e truques sem sentido que aprendera. Palmas frenéticas viam da platéia. O homem se gabava de domesticar leões. Tolo!
O segredo do sucesso do homem não era domesticar leões, era os cegar e manipular impiedosamente. Cegar ao ponto de fazer o leão não enxergar nada além da lembrança dos dias sofridos passados, porém naquele minuto o domador para, agradece os aplausos, enquanto isso o leão começa a enxergar a platéia, cada rosto de criança que sorriam e o olhavam com tanto afeto...Ahh! Que cena... Naquele instante ele pareceu recuperar suas forças e imponência de rei, como era bom se sentir amado!
Acabou o show, voltou pra jaula e mesmo dolorido, cansado, estava satisfeito, sabia que o futuro não seria aquele que desejara, mas mesmo cheio de aflições ele receberia a cada apresentação sorrisos compensadores e um amor de ultrapassar barreiras.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário